Quando somos crianças, nossa alimentação serve para o crescimento do nosso corpo: a pele, os ossos, músculos, órgãos e toda a energia utilizada para correr, brincar, desenvolver-se. Justamente nessa fase em que os nutrientes são tão determinantes, também é o melhor período para formar hábitos saudáveis, já que poderão se perpetuar por toda a vida – é essa a hora de formar os costumes alimentares, gostar ou não de certos alimentos. Uma criança saudável tem muito mais chance de traçar as outras fases da vida com saúde, dado que até os sete anos o paladar se renova com facilidade, assim, com estímulo correto em parceria com a família, é possível construir uma geração de pessoas com saúde alimentar.

Claro, a modernidade nos trouxe dificuldades. Vidas corridas, aceleradas, muito fast food e publicidade em torno de lanchonetes que nossos filhos querem ir. Atraídas pelas cores, brindes e açúcares, as crianças nem sempre estão dispostas a comer brócolis, fazendo aquela conhecida careta para os alimentos saudáveis.

Nesse meio, parece uma tarefa trabalhosa despertar o interesse das crianças para uma alimentação saudável, mas isso vai depender de diversos fatores. As primeiras perguntas são simples:

  • Como são os hábitos alimentares da família?
  • Como foi a introdução alimentar da criança?

Não se preocupe: se o seu filho não come bem, nunca é tarde para mudar. As crianças tem a vida pela frente, embora seja sempre útil começar o mais cedo possível. Nesse trajeto, todo mínimo bom resultado deve ser valorizado. É necessário paciência e, claro, os pequenos aprendem muito pelos exemplos dos pais, o que significa que a mudança deve ser feita na inteira família.

A Educação Nutricional

Como instituição, a Escola Meu Caminhar trata com cuidado e especial atenção a Educação Nutricional, um dos nossos pilares. Sabemos que a escola tem extrema importância na formação dos hábitos alimentares dos alunos, o professor é um ótimo mediador para a apresentação de vários alimentos às crianças.

As formas de unir professor e aluno em prol de provar ou preparar pratos feitos com cuidado, despertando o espírito de colaboração, a autonomia, curiosidade e criatividade para alimentos novos e saudáveis são várias:

Estudar os rótulos dos alimentos, explicando fórmulas químicas, materiais orgânicos, nutrientes, ingredientes ou simplesmente conversando sobre o que faz bem ou não para o nosso corpo. Um dos exercícios propostos pela nossa equipe é pedir aos alunos para trazer rótulos de casa e debater sobre eles, sobre a importância deles para o corpo, o sabor, os componentes. A pergunta “esse alimento é saudável?” é simples, mas traz grande reflexão. A partir das respostas dadas pelas crianças, podemos dialogar sobre a importância das vitaminas, nutrientes e alimentos naturais para o bom funcionamento do corpo.

Essa explicação não é possível apenas na aula de biologia e corpo humano: em história, os professores podem pedir a seus alunos que pesquisem sobre os hábitos alimentares ao longo dos séculos, a história dos alimentos, quais são as tradições alimentares de determinadas culturas, qual o país de origem das frutas, a influência da cultura na produção dos alimentos, etc.

No português, os professores podem pedir cartazes sobre alimentos, poemas, redações, utilizar as palavras sobre bons alimentos para estudar a gramática. Na matemática, é fácil utilizar receitas para estudar os números, medir ingredientes, etc.

Em geografia fica mais fácil ainda: hortaliças, frutas e vegetação são facilmente estudadas e visualizadas quando conversamos sobre solos, planícies e montanhas.

A aceitação dos alimentos é baseada por fatores ambientais como, por exemplo, quantas vezes a criança é exposta ao alimento, a disponibilidade e frequência dele na vida da família e a forma como é apresentado.

Uma das dicas para tornar a refeição mais leve e facilitada é começar a construir um momento prazeroso, criativo e de contato com a família.

A atuação da família para a alimentação saudável

É interessante mudar algumas atitudes para que uma vida mais saudável seja implementada:

  • Utilizar a mesa é muito importante para a família. Evite o quarto, sala ou outro local que não seja a mesa para as refeições. Cria um momento de intimidade e afeto muito importante para as crianças.
  • Tente não utilizar a televisão, computador ou outros eletrônicos durante a comida. É comum que adultos não deixem a criança fazê-lo, mas, durante o dia a dia, acabamos esquecendo, parando o momento em família em e atendendo uma ligação.
  • Monte um prato colorido, atrativo e bonito. Reconheça os alimentos que ele gosta e tente prepara-los com frequência.
  • Deixe que seus filhos participem do mercado, da escolha dos alimentos e da preparação. Já conversamos sobre os afazeres que são possíveis a partir de cada idade.
  • Não ofereça recompensas como doces, refrigerantes ou sobremesas. Se a criança não quiser comer mais, diga apenas que ela só comerá na próxima refeição. Sendo assim, não permita que ela belisque entre as refeições.

A Educação Nutricional é um dos nossos pilares, pois sabemos o quão é importante oferecer opções saudáveis e atrativas para as nossas crianças, bem como facilitar o acesso a elas. É importante também que a criança saboreie e experencie as refeições como um todo, atraindo-se por novos sabores. Coloque as frutas, após higienizadas, em locais visíveis e acessíveis. No momento em que sentirem vontade e forem buscar algo para comer, as frutas serão mais fáceis de pegar do que os alimentos industrializados. Juntos, seremos criativos, persistentes e pacientes para dar aos pequenos um futuro recheado de saúde e equilíbrio.

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